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domingo, 15 de março de 2015

Por um Brasil Melhor


São Paulo, 15 de março de 2015

Alguns brasileiros acordaram com vontade de mostrar sua indignação com o caminho político que o país atravessa, fazendo gritos de ordem de vários desejos, destacando: fora Dilma; fora PT; impeachment; prisão para os acusados no Lava Jato, dentre outras. Não acredito que isto traga resultado de imediato, nem tão pouco, que resulte mudanças radicais, porém tenho muita fé, que isto mostrará aos políticos, que boa parte da população brasileira, encontra-se farta de tantas mentiras, falcatruas e descaso com nossos interesses.

Durante quase todo o mandato do PT o povo ficou calado, muito diferente de outros governos, que se manifestava por qualquer coisa. O ex. Presidente Fernando Collor de Mello, foi expulso do seu governo por muito menos do que estamos passando. A nossa tolerância foi se acomodando com o tempo e dando voto de confiança para os atuais governantes, por conta de um desejo humanitário e social nunca visto. É como se perdoássemos alguns desvios de conduta por conta de uma nova ordem social e humanitária, uma vez que as pessoas mais necessitadas estavam sendo atendidas. Acredito que as pessoas se sentiam envergonhadas de mostrar sua indignação, por serem consideradas parte da burguesia ou de classe média, uma vez que o governo se mostrava defensor dos pobres e oprimidos.

Parece muito a lenda de Robin Hood, que roubava dos ricos em favor dos pobres, em troca de manter sua identidade protegida. Acontece que na vida real, não dá para levar isto à risca. Em algum momento, o povo sofrerá as consequências, seja ela em forma de aumento de impostos, seja na hora de fazer suas compras, pagar aluguel ou até mesmo, na manutenção diária de sua rotina. Precisamos superar este patamar, garantir as boas conquistas para a população mais necessitada e resgatar os controles que nos deram condições de chegar até aqui.

O Brasil pode e deve ser melhor do que é. A população merece transparência dos nossos gestores, além de ações alinhadas para um objetivo comum. Não vejo até aqui, uma visão clara do futuro do país. Para onde estamos indo? Que sacrifícios teremos de fazer para conquistar este sonho? Que metas teremos que atingir ao longo deste governo? Como será mantido o que já se conquistou até aqui? Qual a viabilidade disto dar certo?

Precisamos como nunca de um Planejamento Estratégico, com envolvimento maciço da população. Durante muitos anos, vivemos o sonho de nos tornar um país democrático, independente e listar entre as economias mais ricas. Mas a desigualdade social, esfregava em nossa cara, que não teríamos condições de conquistar isto, sem ajustes neste sentido. Agora, precisamos alinhar o que já conquistamos, o que falta e definir um novo rumo. O Brasil precisa lutar para ser melhor do que foi até aqui e neste quesito, precisamos avançar e muito. Os políticos precisam se preparar para este novo cenário. Não tem como lutar por um ideal com ferramentas antigas. Os atuais políticos não representam mais a nossa vontade e interesses. É preciso um novo pactuo.

É neste sentido que acredito que as manifestações serão importantes. O povo ao pedir tudo e ao mesmo tempo nada, mostra um profundo descontentamento com o que estamos vivendo. Exige uma reflexão ampla, sem interesses imediatos. Não suportamos mais aumentos, sejam eles de que ordem for. Não existe mais espaço para roubos e falcatruas. O governo precisa gastar menos com eles e dedicar mais a serviços para a nação. É preciso buscar soluções para problemas que não tínhamos até aqui, como por exemplo a falta de água, que traz consigo, o caos elétrico e com isto, aumentos dos custos primários e dificuldades para toda nação que vivia em abundância. Sendo assim, precisamos parar de buscar culpados e buscar soluções rápidas e econômicas, capazes de reverter este quadro.

Eu acredito que o país saíra melhor, pois mesmo não mudando os políticos, mesmo não mudando as normas atuais, vamos mudar o jeito de pensar, a forma de avaliar e obrigar que nossos representantes, mudem o jeito de fazer política.


Ronaldo Damaceno

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Como viver em um País com opiniões divididas

Saber perder não é uma tarefa fácil, principalmente quando a derrota não é de curto prazo. Os brasileiros adeptos das propostas apresentadas por Aécio Neves, que como eu, questionavam a legitimidade do governo, a falta de transparência e a indecência de tantas denúncias, com algumas confirmações de desvios do dinheiro público, não conseguem renovar a esperança em uma candidata que está atolada nestas falcatruas.

Os Petistas decentes, pois nem todos estão corrompidos, precisam compreender que a manutenção desta ideologia, defendida há tantos anos, de um país mais justo, de igualdade, de oportunidades, foi terrivelmente atingido nesta eleição. A campanha passou do tom, transformando em uma guerra de factoides e de mentiras. Fica difícil acreditar que depois de tantos atentados à democracia, se consiga estabelecer uma harmonia para construir um novo ciclo de governo.

A derrota não foi de um candidato, mas sim, de mais da metade da população brasileira, digo isto, pois o número de pessoas que votaram no Aécio Neves, somadas com os brancos, nulos e aqueles que não compareceram às urnas, sem medo de errar, ultrapassam os 51% dos votos válidos concedidos a Presidente Dilma. Não obstante, a maior fatia do PIB nacional, que mantem este País funcionando, garantindo os benefícios que o Governo Federal tem orgulho de falar que dá ao povo mais necessitado, foi ignorado nesta eleição. A divisão que o Brasil acordou hoje, não é benéfica para ninguém, ao contrário, ela desperta um sentimento de injustiça, de ingratidão e principalmente, de desigual.

Os mais poderosos talvez sofram menos, pois podem investir em outros locais do mundo, ou até mesmo no Brasil, mas com a atual insegurança, cada vez menos. A classe média, que já é sacrificada por anos neste país, não tem muito o que fazer, exceto viver as margens da Lei, deixando de recolher seus impostos. Já os mais pobres, como diz a humorista da Praça é Nossa, “O coitado”. Estes terão que pagar o que não possuem. Como sonhar com um benefício, se a receita está comprometida? Como comprar se sua receita se transformou em pó? Por fim, como o governo garantirá seus compromissos, se os brasileiros não conseguem pagar seus impostos?

Alguns amigos Petistas, diziam nas redes sociais, que o mais forte venceu, outros, ofereciam a Represa da Cantareira para que os Tucanos chorassem. Tudo parecia uma derrota de futebol, ou uma perda da Copa do Mundo. As pessoas não perceberam a gravidade do negócio. Simplesmente comemoravam o ponta pé inicial do desastre econômico do País.

Meu desabafo é a constatação de vários estudiosos do futuro do Brasil, que como eu, estão buscando esperanças no fundo da alma, para voltar a enxergar oportunidades. O Brasil como nunca, precisa de um novo sonho, de um novo projeto, mesmo que oferecido pela Dilma. Precisamos respirar sem ajuda de um respirador ou de um cilindro de oxigênio.

Por mais que possa parecer um choro de quem perdeu, de uma pessoa decepcionada, ou de um fanático, como alguns podem pensar, não é. A divisão estabelecida é muito forte e na história, não lembro de nenhum País que conseguiu sobreviver a um processo como este. Todos os países que enfrentaram este cenário, estão sofrendo até hoje, dentre eles, Coreia do Sul e Coreia do Norte, Alemanha, Rússia. Alguns até estão quebrando os muros da divisão, mas sobre muito sofrimento, preconceito e principalmente, com maior nível de desigualdade.

É hora de revermos o Brasil, deixar nossas preferências de lado e discutir soluções capazes de quebrar barreiras, principalmente, buscar uma solução conciliadora que dê condições para a Dilma fazer alguma coisa. Precisamos colocar o Brasil em primeiro lugar e lutar como nunca pelo seu desenvolvimento. Ninguém vai ganhar se mantermos este cordão imaginário. Precisamos ser mais fortes do que os poderosos que estão nos submetendo ao abismo.

Eu amo o Brasil e sua diversidade, amo as pessoas e as diferenças que cada um possui. Estou acostumado a ver com otimismo as dificuldades que atravessamos e como somos capazes de sacudir a poeira e traçar uma nova rota. É nisto que estou apostando, é isto que pretendo fazer. Porém não acredito que isto seja possível apenas com a boa vontade dos cidadãos brasileiros, é preciso que o poder se manifeste, dê o primeiro passo e principalmente, saía do pedestal, mostrando com firmeza de que pretende reconstruir a unificação do povo brasileiro.



Ronaldo Damaceno
São Paulo, 27/10/2014

Leia também: Tirando lição da campanha política 2014




quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Muda Brasil

Eu como muitos brasileiros, tenho acompanhado os debates dos candidatos presidenciáveis, que tem sido uma grande oportunidade para ver um enfrentamento, acusações infundadas e de vez em quando, uma pauta do programa de governo para os próximos anos. Isto se repete, um pouco mais ou menos, em todos os canais de televisão, fazendo surgir uma reflexão:

a) São os assessores de marketing, com seus candidatos que ignoram a capacidade dos telespectadores?
b) Os canais abertos de televisão não estão preparados para realizarem um programa de debate que traga respostas ao invés de acusações?
c) É o povo brasileiro que não exige o suficiente, em sua qualidade de eleitor?

O Brasil precisa urgentemente de um levante. Não podemos continuar assistindo a vida passar e não fazer nada para melhorar. As pessoas com mais oportunidades, sejam elas por competência ou por indicação, estão se apropriando de nossas vontades, de nossos sonhos e fazendo cada vez mais riquezas para seus correligionários. Até quando permitiremos que estes candidatos defendam idéias dispares das nossas, sem ao menos ouvir o que realmente desejamos?

Após cada debate, sinto-me como uma criança que ganha um presente dos pais, mas que não corresponde ao seu desejo ou ao seu sonho. É ridículo ouvir dois candidatos discutindo números estatísticos, do tipo, fizemos "X" casas, "Y" Rodovias e "Z" aeroportos, como se isto resolvessem os problemas que estamos vivendo.

Não vejo ou ouço, dizerem que reduziremos os impostos, os números de cargos públicos, os números de secretarias, as viagens, os benefícios e apresentaremos as contas para que a comunidade acompanhem para evitar a corrupção que só cresce no País.

É nítido nestes programas de governo, a preocupação com o atendimento médico, como se o pobre e a classe média só tivesse isto de direito. Parece que para eles, saúde, é dar direito a um atendimento médico, realizar exames ou ser internado. Mas saúde é muito mais que isto, é fazer um plano de prevenção capaz de reduzir as doenças e mortalidades. Como gostaria de ouvir, que o governo fará um plano para combater a seca, combater a contaminação de rios, alimentos e meio ambiente, além de combater as pragas como Dengue, Malária, dentre outras.

É preciso que os candidatos foquem seus planos de governo em práticas de melhoria da qualidade de vida da população. Oferecendo exercícios, alimentação de melhor qualidade, lazer, com preços mais acessíveis para todas as classes.

Percebem que todos os planos oferecidos, são em forma de dinheiro. É para facilitar as maracutaias. Não vejo discutirem ações para utilizarem melhor o que já existe. Por exemplo: temos enumeras praças, parques e prédios do governo, que poderiam ser utilizados para oferecerem orientações, exercícios físicos, como fazerem ortas sem agrotóxicos para a população mais carente. Seria lindo desenvolver os espírito social existente em cada um dos brasileiros, para serviços voluntários de ajuda solidária as pessoas mais necessitadas. O governo entraria com a captação destas pessoas e os voluntários com os atendimentos.

Parece loucura, mas é o que gostaria de ver acontecer no Brasil. É triste ver que, com tanta abundância, ainda exista pessoas abaixo da linha de pobreza. Ainda existe comunidades com esgoto a céu aberto, ainda existe desigualdades, desde a informação até ao benefício.

Estamos vivendo a maior seca da história e não vejo uma candidato com um plano para reduzir a dependência das hidrelétricas, fazer novos reservatórios de água, desenvolver postos de tratamento e reaproveitamento de água e buscar soluções que agrida o menos possível o ambiente. Isto deveria estar em pauta, pois imagine ter que ajustar toda uma tubulação existente. Quem ajudará a população para rever o encanamento das residências, uma vez que nunca tivemos que nos preocupar com o tratamento e reaproveitamento da água?

É nítido que é mais fácil discutir a inflação, o crescimento, a segurança, a logística e o que dizem de saúde. Escuto isto há mais de 30 anos e a cada eleição, vejo números e números sendo ditos e quando olho para o lado, não vejo nada de diferente.

O que mais vi crescer nos últimos anos, são dívidas de pessoas com cartões de crédito, boletos e financiamentos. A população realmente passou a consumir mais, a participarem mais da fatia do bolo, mas estão cada vez mais tristes, preocupadas e vendo seus esforços indo pelo ralo. Antigamente via alguns comentários que diziam assim, a pessoa é pobre, mas é feliz. Hoje nem isto escuto mais. Só vejo pessoas procurando novas fontes de recursos para pagarem o que já fizeram de dívidas.

Os jovens adolescentes estão cada vez ficando mais nas casas dos Pais. Eles estudam como nunca estudamos, mas quando arrumam emprego, são para ganhar pouco. Está cada vez mais difícil recuperar o investimento investido nos estudos. É por isto que defendo de que precisamos mudar. O povo brasileiro precisa mostrar sua cara, defender seus interesses e fazer valer sua posição de eleitor.

Precisamos exigir um sistema de avaliação do governo, como se fosse uma eleição anual, onde os eleitores manifestaram a sua opinião quanto aos investimentos e prioridades do governo. Isto exigirá que os candidatos a lute pelos interesses da população, saindo da zona do conforto que é o Palácio da Alvorada.

O Brasil definitivamente merece coisa melhor do que o que estamos tendo. Fica aqui registrado meu sonho, minha vontade, para que um dia alguém com mais recurso e oportunidade, possa ajudar a consolidá-lo.



Ronaldo Damaceno

ronaldojdamaceno@hotmail.com